quinta-feira, 3 de novembro de 2016

Turismo para gringo ver

Uma riqueza ainda não explorada, mal mostrada ou desconhecida para nós brasileiros e para o mundo. Se o turismo é uma atividade de exploração de encantos e de beleza natural, entre outras boas razões, precisamos conhecer e gerar divisas com o meio ambiente que temos. É claro que estamos falando de uma grande riqueza natural que Deus nos presenteou e já apresentamos numa postagem anterior. Estamos nos referindo a Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri, Itacaiúnas e da Reserva Biológica do Tapirapé-Aquiri.

Região de beleza inigualável, também rica em seu subsolo e exploradas pela mineradora Vale, que exportada para o mundo. A cidade de Marabá é a casa do projeto de cobre Salobo. O cobre é um dos metais mais utilizados no mundo de hoje, atrás do ferro e do alumínio, sendo amplamente utilizado na geração e transmissão de energia, em fiação e em equipamentos de praticamente todos os eletrônicos - como a televisão e o telefone celular.

Embora a empresa contribua com ações para a preservação do meio ambiente, também está causando estragos nas atividades extrativas do cobre (com a presença significativa de ouro), com a retirada da floresta nativa, infelizmente e mesmo com a poluição com o derramamento de produtos químicos. Por outro lado, nesta região é favorável para o turismo e para atividades de pesquisas.

A Área de Proteção Ambiental do Igarapé Gelado, do Tapirapé-Aquiri, e da Reserva Biológica do Tapirapé-Aquiri, localizadas nos municípios de Marabá, Parauapebas e São Félix do Xingu, são considerados como áreas protegidas. Estes cenários deslumbrantes, esse mundo de riqueza natural é conhecido por poucas pessoas, basicamente por pesquisadores, até agora e essa realidade e isto pode mudar.

Em Parauapebas, distante 160 km da cidade Marabá, encontramos a Floresta Nacional de Carajás, que faz fronteira com a Floresta Nacional do Tapirapé-Aquiri. É uma grande aventura e vamos conhecer um pouco da Floresta do Tapirapé-Aquiri. Nossa porta de entrada será pela Serra dos Carajás, no município de Parauapebas, iniciamos a nossa viagem. Começamos com uma viagem de 40 minutos de caminhonete através de estradas estreitas (chamadas de vicinais) até chegar no rio Itacaiúnas. Os visitantes que chegam ao rio Itacaiúnas vão sentir-se deslumbrados com o maravilhosos cenários, um grande e poderoso rio, (é a natureza com a sua imponente força natural) tudo perfeito sem estragos ou poluição, um verdadeiro santuário, um mundo desconhecido. Nosso passeio segue o curso do rio, em uma lancha, barco de alumínio com motor de popa.

De barco subimos o curso fluvial e aqui vemos a magnitude do rio intacto, de uma margem temos a Floresta de Carajás e na outra a Floresta do Tapirapé-Aquiri e, de um lado o município de Marabá e do outro Parauapebas. Neste verdadeiro santuário temos a exuberância de um grande rio onde a pesca é proibida, encontramos peixes saltitando em uma efusiva saudação. Seguimos por um rio agora caudaloso que exige do piloto audácia para vencer as correntezas e algumas grandes pedras em seu leito. O barco salta elevando a adrenalina, até parece um esporte radical de tanta emoção. De julho a novembro temos a estação do verão quando o rio baixa e deixa as pedras mais visíveis. Uau!

Continuamos nossa viagem de conhecimento, espero que as imagens sejam construídas na mente de cada leitor. Estamos em um quadro de verde intenso, nas duas margens árvores de grande porte, axixás, castanheiras, cedro, mogno, algumas de 30 outras de 40 e 50 metros de altura, preferidas por papagaios e araras. É possível avistar a passagem delas pelo céu, aliás, a inspiração para o filme de animação em 3D, Rio, foi justamente na Arara azul grande, linda ave amazônica. Nossa viagem é guiada por pesquisadores do Instituto Chico Mendes de Bio Conservação (ICMBIO), responsável pela gestão ambiental e já catalogou mais de 380 unidades da arara azul e vários ninhos no interior da floresta.

Nossa expedição não aporta em nenhum lugar, temos o destino definido e vamos aportar em uma base. Seguimos vencendo a correnteza rio acima. Estamos chegando em uma grande casa construída pela Vale (pela então Companhia Vale do Rio Doce – CVRD, anos atrás) para suas atividades de mineração. Esta casa agora pertence ao ICMBio que praticamente tomou posse da habitação e desta magnífica natureza. A casa agora serve de base para as atividades de fiscalização e de pesquisas e, servirá para apoio ao turismo, ou seja, para uso público. Com certeza um luxo!

Acreditamos ser este local muito promissor para o turismo. É preciso tomar posse para uso público antes que seja transformada em matéria prima para grandes nações do mundo, deixando buracos para a eternidade. A atividade de mineração é predadora da natureza e já temos no Tapirapé-Aquiri o Projeto de Cobre Salobo, o maior do Brasil na exploração de cobre, são as máquinas ocupando os espaços naturais do mundo deixando a destruição como marca da presença humana ao custo de um pouco de royalties como compensação financeira, a natureza e o mundo ficam, com certeza, descompensados em relação ao meio ambiente.

Vamos finalizar nosso texto, chamamos a atenção para a manutenção dessa beleza singular, ainda muito preservada, muitas árvores e animais, um rio belíssimo, para inserir tudo isto em um roteiro turístico inclusive, para gringo ver, desculpe a expressão banal, mas, sei que nos entenderão, é somente um jeito comum de referirmos às pessoas de outras nações. Esperamos fazer a ocupação sem causar destruição, destinando ao turismo essas enormes áreas, berço de animais e árvores em plena Floresta Amazônica e promover o turismo para gringo ver.

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