domingo, 12 de março de 2017

A pintura regionalista de Domingos Nunes

Diferente de muitos outros, o artista plástico Domingos Nunes dos Santos, ou Domingos Nunes como assina suas telas, é considerado como um artista completo, suas artes vão do nanquim com a técnica de bico de pena, óleo sobre telas, esculturas com argila e madeira. Seguindo uma tradição do bico de pena que possui vários expoentes marabaenses, como Elton, Morbach e Rildo Brasil estes desenvolvem sua técnica no empirismo, são autodidatas que possuem obras que beiram a perfeição.

Na pintura mundial Leonardo da Vinci era um autodidata e conseguiu alcançar a consagração de seu trabalho. E é isso que muitos fazem para alcançar um excelente nível de pintura, desenvolvem técnicas próprias sem apoio ou a orientação de um professor.  

Domingos começou desde criancinha, ainda na escola tinha facilidade com desenhos e pinturas, nas atividades escolares conseguia terminar mais rapidamente as
atividades de desenhos passadas pelos professores. Gostava de fazer desenhos para capas de cadernos dos colegas. Foi assim que começou uma caminhada de muito sucesso.

Aos vinte anos pintava para amigos e para vizinhos e já vendia parte de sua produção. No Começo pintava com caneta esferográfica preta, só depois descobriu o nanquim e passou a pintar com tinta óleo e acrílica temas regionais. Sua inspiração veio do amigo Augusto Morbach (já falecido) que adotava no nanquim também uma temática regional, foi tentando imitar sua obra que descobriu o jeito da pintura.



Noé von Atzingen - o Descobridor


O ex-presidente da Fundação Casa da Cultura de Marabá, o biólogo Noé von Atzingen o descobriu quando Domingos já tinha em torno de 25 anos, viu pinturas de coletador de castanhas, de barcos típicos da região e mesmo o cenário antigo da cidade, serviu para fazer a primeira exposição de quadros. Foi só o começo, desde então, já expôs em Tucuruí, em Belém (na Feira de Cultura Paraense), em Marabá na Feira da Indústria e do Comércio, no Banco do Brasil, na Câmara de Vereadores, nos hotéis Del Príncipe e Itacaiúnas. O sucesso foi tão grande que as obras de Domingos, Rildo Brasil e Morbach foram expostas em Berlim, na Alemanha. De lá para cá centenas de quadros já foram vendidos.

Mas, os tempos das exposições passaram. Hoje a arte quase não é valorizada e é preciso fazer exposição para que os compradores conheçam o que está sendo produzido. As exposições poderiam estar num calendário para direcionar os turistas e pessoas interessadas, até chamar as outras artes, os artesãs que precisam ser ajudados também. É isso que precisa ser feito como forma de valorização do artista e de sua arte.

A Casa da Cultura vinha dando apoio e até mesmo representando a classe dos pintores e Marabá é uma cidade que tem muita arte para ser exposta. Tem muito de artesanato, trabalhos em acrílico, tem o Bino excelente grafiteiro (da Vitória Barros), desde a arte mais tradicional a mais moderna. 

Imagens que não existem na realidade, momentos de transformações ocorridas serviram de inspiração para Nunes, como é o caso do Pontal do rio Tocantins com o Itacaiúnas, do Garimpeiro de Diamantes, dos Barcos que transportavam castanhas, da lavadeira de roupas da beira do rio. Essa era a realidade de quando jovem a perambular por Marabá e quando trabalhava para os Almeidas, no verão era o tempo dos diamantes, quando o rio secava e mostrava as muitas pedras de diamantes. Quando o rio enchia no inverno era a época dos castanhais. E essa vida lhe mostrou muitos temas retratados em seus quadros, passava para o papel o desenho e a pintura fluía com muita facilidade. São histórias da vida e da cultura da cidade, sempre a encantar que a conhece pela primeira vez.


Pintores encontram-se desestimulados

A produção de muitos encontram-se sob xeque, ou seja, faltam estímulos para se pintar, para se expor e assim as pinturas ficam guardadas, o artista precisa ser valorizado, sentir que há a necessidade de seu trabalho. Para Nunes pintar é enfrentar um desafio de produção. Até os dias atuais não se tem um Centro Cultural ou uma Galeria de Artes do município que sirva para exposições, tem uma garotada aí que não conhece o trabalho de bico de pena e outras produções artísticas. 

Enfim, os jovens precisam conhecer os mestres marabaenses. Alguns poderão ter o desejo despertado para a arte e alguém precisa incentivar, tomar ação e fazer os encontros, as exposições. A maioria dos pintores de Marabá são pessoas maduras, com mais de 50 anos e precisam apresentar sua técnica. Muitos não nascem com o talento e podem desenvolver. Outros nascem e sem incentivos perdem o talentos. Está faltando um pouco de luz para com nossos artistas. 

Observação: as obras acima encontram-se na Câmara de Vereadores de Marabá.

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