sábado, 6 de maio de 2017

Marabá apresentou o Caucho para o Mundo

Pintura de Domingos Nunes, detalhe das árvores derrubadas
Os primeiros habitantes do Burgo Agrícola do Itacaiúnas tiveram na coleta do látex, do caucho, o início da indústria extrativa da borracha, feito que causou a vinda de migrantes de outras partes do país. Esse feito foi uma revolução para a época, estrangulou a vocação agropecuária trazida pelos exilados de Boa Vista (atual Tocantinópolis) pelo Coronel Carlos Gomes Leitão. O Caucho (Castilla Ulei), árvore da família das Moráceas, foi sem dúvida a primeira espécie de goma elástica que se conheceu na Europa, graças a amostras levadas da América do Sul pelo cientista francês Charles Maria de La Condamine, membro de uma missão científica enviada pela Academia de Ciências em Paris, em 1735.


Sebastião Marinho, um bandeirante paulista, já havia detectado a árvore do caucho, nas margens do Araguaia, porém, a descoberta é creditada aos irmãos Antônio e Hermínio Gonçalves Pimentel e outros companheiros. Eles procuravam nos campos gerais pastagens naturais para seus rebanhos de gado pois, ficava mais perto do mercado consumidor, que era Belém do Pará.

Foi Antônio Pimentel quem encontrou o caucho, quando fazia uma caçada e depois de um tiro de rifle atingiu uma árvore, percebeu que dela escorria uma grande quantidade de líquido esbranquiçado. No dia seguinte, voltou ao local percebeu que o líquido havia coagulado e escurecido. Aproximou-se e retirou com a mão o coagulado da casca da árvore e o material tinha uma grande elasticidade. Levou o material para o Burgo e o Coronel Carlos Leitão mandou aquele material para análise em Belém, através do seu amigo e comerciante Alfredo da Rocha Pereira. Em Belém, o Professor Bauha, chefe do Gabinete de Análises Químicas procedeu a análise. O resultado: se tratava de borracha de muito boa qualidade.

O Burgo do Itacaiúnas viveu dias de muita alegria, passou a ter uma indústria extrativa que produzia muito dinheiro, fato raro nos sertões do Brasil e isso, provocou a chegada de muitos migrantes circunvizinhos. Muitos vieram do Nordeste do Brasil e enfrentavam a mata selvagem. Os patrões eram chamados de "Aviadores", aviavam ao trabalhador dos meios necessários para o seu sustento, desde o rifle, balas, terçados, mantimentos, recursos para iluminação, tabaco e mantimentos. 



O fim da Borracha em Marabá
Caucheiro Indiano
A coleta do caucho ocorria de preferência na estação seca, as águas estragam a produção que ficava depositada de 8 a 10 dias para coagular completamente e ser recolhida. Então, o látex era enrolado e formava o "sernambi". Cada árvore produzia cerca de 50 quilos e havia uma árvore de casca mais escura, o "cururu" que produzia ainda mais e utilizava-se o sabão dissolvido, o alúmen, para abreviar a coagulação, mais isso baixava a qualidade do produto. É importante destacar a importância e necessidade de um país de borracha:

“O Brasil é carente de borracha, que está entre os itens mais importados. Para se ter uma ideia, são mais de 400 produtos que têm como base a borracha natural para a sua confecção, incluindo pneus de carro e de avião, que exigem na composição um determinado percentual de látex. O objetivo é garantir que haja elasticidade, o que não ocorre com a borracha originada do petróleo, por exemplo. Além disso, o látex serve de insumo para a fabricação de brinquedos para bebê e de produtos para pessoas alérgicas, apesar de que a borracha natural pode causar reações na pele de algumas pessoas”, ressalta a pesquisadora

Nos dias atuais a gente fica perguntando, cadê a árvore de caucho. Por que não se tem mais? Temos as seringueiras até os dias atuais e o caucho? O que aconteceu? Lamentavelmente usaram um método pouco inteligente para a coleta. Derrubavam a árvore para fazer a coleta, esse fato exauriu aquela fonte de renda para sempre. Outro erro é a incisão que se faz no tronco que não pode ser maior que 7 centímetros, sob pena de afetar seriamente a árvore chegando ao ponto de matá-la. Hoje ninguém conhece uma árvore de caucho. A extração não durou 40 anos, foi de 1895 até 1927, cuja produção teve seu auge a partir de 1907 até 1919.

Mas, outras nações exploram a extração do caucho, como o Peru, a Colômbia, a Índia e outras.

No nosso caso, comeram a galinha dos ovos de ouro.


  • As Origens de Marabá, de 1590 a 1913, volume 1, José da Silva Brandão, 1998, Editora Chromo Arte, pag. 265 a 268.
  • https://books.google.com.br/books?id=BseZ1PyoRX4C&pg=PA52&lpg=PA52&dq=descoberta+do+caucho&source=bl&ots=wvrMK3UBUU&sig=HPQLUY-269dQ-z9UQ37bvZv7RWI&hl=pt-BR&sa=X&ved=0ahUKEwix0syiq83TAhWDgJAKHdsKDY8Q6AEIMDAC#v=onepage&q=descoberta%20do%20caucho&f=false
  • http://redeglobo.globo.com/globociencia/noticia/2012/09/latex-extraido-das-seringueiras-serve-para-fabricar-de-pneu-luva-cirurgica.html

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