quarta-feira, 5 de abril de 2017

Uma história sobre a criação de Marabá

É muito importante conhecer a história do município que nascemos ou moramos.  A história da criação de Marabá, não oficial, pouco conhecida, revela um certo “milagre”, contado em 1953, pelo jornalista Antônio Morbach, que publicou uma monografia intitulada “Caucho, castanha e garimpo”, onde apresentava as características dos três ciclos iniciais da economia desde a sua fundação, na época o município completava 40 anos de emancipação política.

Um dos capítulos foi denominado de “Milagre dos 14 contos” em que revela como se deu a emancipação de Marabá, com uma boa dose de propina na Assembleia Legislativa do Estado em 1913. Na época, segundo relato de Morbach, São João do Araguaia conseguiu ganhar Marabá de bônus quando alcançou sua emancipação a partir do município de Baião em 1908, através da Lei 1.060 de 15 de novembro daquele ano.

Depois disso Marabá cresceu economicamente, no número de moradores e em força política na capital. Era preciso, então, “desmembrar seu burgo do velho São João do Araguaia”. Para tanto, dependia de um ato do governo do estado, que por sua vez precisaria da aprovação da antiga Câmara dos Deputados Estaduais. O parlamento estadual se dividiu em duas correntes: a pró-Marabá, com Eloi Simão, Martins Pinheiro, o “Pinheirão”, e Fulgêncio Simões; e a contra Marabá, liderada por Heitor Castelo Branco.



Para desfazer o impasse, segundo o trabalho acadêmico de Morbach, os marabaenses se cotizaram. Um emissário com 14 contos de réis – naquele tempo dinheiro suficiente para aquisição de mercadorias em quantidade de carregar um batelão (embarcação movida a remo ou a reboque de uso no comércio fluvial) de 14 toneladas de carga – foi em busca da solução definitiva do problema. E foi rápida. Os 14 contos obraram milagres, Enéas Martins, então chefe do Executivo estadual, assinava, no dia 27 de fevereiro de 1913 a Lei 1.271, criando o município de Marabá.

Conto de réis é uma expressão adotada no Brasil e em Portugal para indicar um milhão de réis. No livro 1808 o autor faz uma conversão de réis em Real, baseando-se em outros autores que se empenharam para torná-la o mais próxima do valor atual, levando em consideração os valores da inflação. Cabe lembrar que a conversão, mesmo próxima, não é exata. O valor aproximado é o seguinte: 1 Réu vale R$ 0,056. E, 1 Conto de Réu corresponde a R$ 56.000,00 e, os 14 Contos de Réu dá R$ 784.000,00.

E foi Pedro Peres Fonteneles que trouxe as boas novas de lancha. Também recebeu a incumbência de representar o governador Enéas Martins no ato solene de instalação do novo município. E, no dia 5 de abril de 1913, secretariado por Raimundo Nonato Gaspar, o representante do governo dava posse à Junta Governativa do novo município, composta por Quirino Francisco de Castro, Afro de Araújo Sampaio (representado no ato por João Anastácio de Queiroz) e Melquíades Peres Fontenele, tendo como presidente Antônio da Rocha Maia.

A ata original da solenidade (considerada como a certidão de Nascimento de Marabá) está guardada na Câmara Municipal e na época recebeu a assinatura de 62 cidadãos que constituíam o eleitoral inicial de mais um município do Estado do Pará.

É interessante relembrar o que era esse lugar em 1913, não tinha Correio e nenhum outro serviço púbico que justificasse o pagamento de impostos estaduais. Foi preciso muito trabalho por parte de um grupo formado pelo Major Quirino Melchiades Fontenelle, Major Afro de Araújo Sampaio, Major Quirino de Castro, Cândido Raposo e João Anastácio de Queiroz, maioria deles comerciantes que compravam as patentes, que tinham negócios nas matas com a exploração do caucho e tinham dinheiro para ajudar na criação do município. Abaixo um quadro encontrado no wikipédia que mostra a população de 1.070 pessoas em 1913.


Graças a produção do caucho o intendente, nome do gestor naqueles tempos, pode suprir algumas das necessidades existentes na década de 1910. E o político que mais se destacou na época foi João Anastácio de Queiroz que foi vogal (cargo que corresponde ao de vereador) por duas ocasiões, assumiu a função de prefeito (na época era chamado de intendente) por quatro mandatos.

Crédito: Panorâmio
O relato desta história foi importante par mim, fiz um trabalho de pesquisa, pouco material, na verdade, me sirvo da publicação pouco conhecida e pouca difundida: "História do Legislativo", e da internet, percebi o quanto os nossos pioneiros pouco são valorizados, suas histórias contadas. Nestas andanças descobri que há vários descendentes destes que podem evidenciar histórias belíssimas. Outra coisa, não encontrei na internet nenhuma imagem de Antônio Maia, de João Anastácio de Queiroz, Afro Sampaio entre outros. 

Não podemos apagar nossos pioneiros, muitos sepultados em solo marabaense, deixá-los no esquecimento, não podemos deixar de homenageá-los e eternizar os seus feitos. Viva nossos Pioneiros! Viva!

Fontes: 
Livro: História do Legislativo 1913-2014
Wikipédia, A Enciclopédia Livre

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